A Menina de Lá

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"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." clarice lispector

Terça-feira, Janeiro 31, 2012

pieces of me




Um vício de não saber quem sou.
Rastejo, suplicando a cura
que invade cada pedra do abismo.

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A sabedoria do mundo
cabe no universo de segredos que guardamos?

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O amor se esconde no enfeite de um beijo
e se esvai num desvio inesperado,
um olhar.

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As palavras camuflam verdades e pensamentos
e adoecemos todos de uma solidão crônica,
parasitada pelo vírus do medo.

****

Seguimos amando as pessoas erradas,
fazendo amor com corpos e não com almas...

****

Nos estraçalhamos em ira, inveja e traição
para no fim colhermos as lágrimas cortantes
de nossas escolhas e concluirmos: somos humanos!

Red



Abraços perdidos no tempo...
Desejos constantes de sei lá o quê...
Sim e não imperam nas escolhas...
Silencio os erros estampados na pele,
mas eles sempre são cobrados,
sempre...
Beijos doces embrutecem as papilas,
tudo muda de sabor,
todos os dias...
E o desejo é uma criança mimada, tem vontade própria!

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Ludwig von...



Voz doce e suave
emanada de um olhar
feminino e perfumado à sua maneira.
Vesti-me do isntinto que me prendeu
em seus olhos claros
como a névoa de um deserto
que me extasiou no primeiro dia.
Eu disse sim à minha loucura!
Acariciando seus cabelos...
A delicadeza de seu espírito acendeu em mim
o desejo pela boca,
pela pele...
Alguns abraços depois
eu já a ansiava em minha cama,
arrepiando os pelos,
despertando entre nós
o que ao mundo é velado.
Um porre de seu odor
me ressaquiou por uma semana
e como um vício
corpo e alma pediam mais
daquilo que é proibido.
Há perguntas e vazios transbordando
em libido e cautela.
Respondo sem pensar à pergunta:
Para que transformar um desejo livre em escravidão?
Meus lábios a perseguem
como sede e água...
E marcamos um desencontro
no insípido não do tempo
que nos pertenceu.

Para quem acredita que o tempo das coisas sempre vem na hora certa...

Segunda-feira, Julho 25, 2011

searching...


Ainda tenho o mesmo traço. Desenho os corpos presos e pinto as almas que voam... o mundo adota os vazios meus e dos outros, me contando suas histórias... sussurrando seus segredos escondidos nos espelhos das ruas, no cinismo das palavras, no que gritam seus olhos. Bebo a pele e o sal do não dito, do inexplicável, do que me incompleta. Leio páginas, escrevo algumas, rasgo outras... o incompreensível queima-me por dentro e ainda sou a mesma verdade indizível de outros dias... por onde andou meu coração?

Sexta-feira, Maio 13, 2011

cherry tree



O sal da verdade vestiu o emaranhado de palavras que me disseram adeus...

Também penso no que se foi. E sinto cada dor, em cada poro da pele.

Vivemos muito e sentimos muito... Talvez simplesmente o bastante... talvez não...

Nossos mundos que caminharam juntos por tanto tempo se apartaram como que seguindo a ordem natural do universo.

Sim, seria mais difícil sem você.

Tanta coisa não teria tanto sentido. O vazio não me caberia tão bem, não fossem as medidas que descobrimos.

Quebramo-nos e estamos nos reconstruindo... em novas formas que talvez nos tragam mais paz.

There’s no judment day...

Meus sonhos e minhas angústias se enchem de afeto quando penso que tudo está sob a gerência da transformação do tempo, que virá, irremediavelmente.

Seguirei com meu peito transbordando em sentimento, pois você sabe o que é inerente à agudez de ser Paula.

Talvez nos encontremos no mesmo abismo, nos sorrindo e nos querendo bem. Você será feliz, bem como eu, vivendo o que Deus e o mundo nos reserva de encontros e desencontros.

Cumprimentaremos nossas almas em Florença, na outra vida que nos prometemos.

Sexta-feira, Outubro 29, 2010

somewhere else


É na dor que nos reconhecemos inimigos...

de uns e de outros...

somos todos produtos

de sentimentos subterrâneos

que escondemos nos olhares calados,

na sede que não matamos

quando bebemos o sal dos mistérios internos

de sermos quem somos,

dilacerados ou ungidos...



As verdades são heroínas

inversas de nossa angústia

e lastimamos

o dia em que conhecemos as vozes

dos olhos que gritam para o mundo

a intensidade do que em nós é fragilidade

e outono.

Domingo, Março 14, 2010

dancing w/ myself...


a dor que me aprisiona em seus olhos veste-se “do nada”, quando meu sorriso desnuda minha alma./ pele que abraça sensações de sentir a verdade, /os pés caminham descalços pelo desconhecido do que sou./ frágeis são o céu e a terra/ quando minhas intensidades transbordam de quem não sou./ não há mapas ou sal.../ a direção é o incerto sentir./ planto sementes, colho ventos./ tenho a legitimidade das cores que sussurro/ e ainda navego sem bússola ou estrelas nos mares que buscam coragem e uma certa fé./ os santos humanos imploram a piedade do mundo./ na despedida do meu outro, sou água de nascente que nutre a caminhada errante do inesperado./ a volta é o recomeço faltante do insosso vivido na lei frágil do não ser./ minha sede insiste em palavras mudas, líquidas de amor e vida,/ alheias à mediocridade de quem dividiu o indivisível./ e ouço músicas que só o vermelho inato em mim traduz as vicissitudes do eu que desconheço e amo.



my garden...




O tempo brinca em intensidades. Os meses vão e vem, e ainda estamos de pé. Nessa caminhada de olhares diários, experimentamos noites e dias de cores básicas e nuances desconhecidas. Pintamos as palavras e os toques de experiências internas, peles eriçadas que a distância de dias transforma numa saudade raivosa. Maturidade! Gritam nossos cérebros. Mas meu corpo de mulher se desfaz em sorrisos e brincadeiras quando sente seus pêlos e seu gosto nessas noites de veraneio. Balzac faz presença nos dias de sentimentos divididos entre os ataques de uma alcatéia e outra. E meu alento são nossos reencontros nos olhares dos primeiros dias, entre as cores amendoadas e aquelas mais escuras, intensas e verdadeiras, que nos vestiram no inverno daquele julho.


Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Para a amiga Grazi - ventos levam e trazem o sorriso da menina que vive distante...


Quebraram-se os dogmas do amor.

Corações partidos...

com o tempo,
com a música,

com a vida...

Não se completavam.

Não se ungiam.


Paixão insípida.

Laços desfeitos,

pele vazia.


Um encontro com o EU perdido.


Verdade velada no incosciente liberto

da mulher que ama e que vê.


Mas os tempos são outros...

Basta um encontro consigo,

e a leitura se desconstrói em madurezas íntimas.


Visto-me de concreto

e vivo minhas abstrações de querer.

Enfeito-me da alma que tenho,

construo belezas obtusas.


AMO!!!


E assim falo

e vivo minhas intensidades.